Soa-nos como um dom.
Desde pulsos enérgicos que quase nos explodem o corpo e que por gritos e expressões corporais desordenadas e caóticas são exteriorizadas. Quando não mais prisioneiro do corpo, bem como a alma, este viola como um tiro e, sem precedentes, arrebata ao que se dispõe à queda - nesta hora, paradoxalmente, encontramo-nos com a vida.
Há uma fé quente que me espreita e me expia, não é incômoda tampouco deselegante, esta me parece mais discreta que eu: ora por explanar verdades e sentimentos, vontades e o que me dói a ausência a quem quer que tenha disciplina de me ouvir ébrio; ora porque me são normais lágrimas ou sorrisos, tenho intimidade com o que sobra e é alheio neste lugar sujamente indiferente, nunca me custa nada, afora pra amar, só disso não sinto preguiça.
Esta fé na vida, no amor e no futuro me apazigüa o cotidiano esmagador, traz saúde e paciência e com talento, estarei vivo para o dia de sua chegada. Já sei com que roupa mas não ao certo o que dizer, temo estragar tudo, portanto, plano A: Silêncio!
Já vejo-nos claramente com sons e luzes ao redor, pés aspirando levitar, dois balões de hélio sobre nossos pescoços. Vamos nos admirar tanto, deliciarmo-nos, comeremo-nos com os olhos famitos e as lágrimas virão como a água ganha a boca quando estamos altos no meio da noite com pelo menos cinco reais no bolso em frente ao McDonald's.
E é bem o que faremos, levará tempo até conseguirmos organizar qualquer possível linha de raciocínio lógico, aí então escutaremos e veremos as luzes da rua, ignoraremos a discrição e sentiremos puro calor e do corpo libertaremos com suor o universo secreto que estamos construindo e guardado um para o outro todo esse tempo e nos deitaremos após o tiro e nós desligaremos o mundo e nem assim vamos explicar como é possuir este dom.
13 julho 2010
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