27 março 2007

poesia cretina

estou dirigindo calado pensando em fumar
não ouço a música e vejo sua boca que se mexe sem parar
escuto sua voz mas não sei o que suas palavras querem significar
o sinal fecha e outra poesia cretina na minha mente começa a se formar
ainda bem que no porta-luvas nem caneta nem papel vão estar
quando abre o sinal esqueço tudo e um sorriso pro retrovisor posso esboçar
e de repente, de novo, movimentos e barulhos pra eu me concentrar
mas quanto mais sons e luzes, menos eu pareço enxergar
mais longe e pra dentro, tudo é correnteza que não como escapar
sentimentos e um instinto absorto estranhamente familiar
que abre meus pulmões e de graça me faz respirar
minhas mãos limpas no volante e os olhos abertos pra guiar
dessa vez consigo entender que você está a me xingar
só te olho e com os olhos já peço e consigo te fazer parar
- eu nunca estive nessa rua, não conheço esse lugar.
não sei como chegar onde quero te levar
mais uma vez, por educação, prefiro estar sujo que sujar.

(ao som de the strokes - fear of sleep)

13 março 2007

Vivo e com algum propósito!

Eu ando por aí, eu continuo em pé, ao contrário do que torcem, do que querem. Pensam que por não comer eu não tenha mais forças, que por pensar demais eu não tenha mais esperanças. Acham que vou abrir mão da vida. Acham que sou inconseqüente como criança e que não sinto nada, como quem está inconsciente. Mas sei de cada célula e cada centímetro quadrado seu que quero raspando na pele de pessoa minha quando derrramo ou não lágrimas por minha culpa. Sou o que sou, sou o que tenho. Pra quem quer o que eu tenho e não disfarçe. Pra quem abusa da sorte e aposta em algo que não vai falhar nunca.

01 março 2007

Relógios, árvores & ruínas.



É, tô vendo que pra compor tem que ser de madrugada. De dia são tantas coisas, pressa, correria, ensaio, tirar música, telefone, sono, fome, gente, compromissos... responsabilidades inadiáveis, mesmo pra mim. E também tem que ouvir muita coisa diferente, de Djavan à Telesônica, de xingamentos à declarações românticas. Tem que estar bem, mal, feliz, triste, apaixonado, sozinho, bêbado, são... mas alguma coisa tem que estar, não existe fazer algo sem sentir, afinal, é simples, é de coração.