Não me é errado vigiar aviões
Já que dentro em pouco, entre milhões,
Em um deles chegará, para o meu bem,
Alguém por quem eu conto os dias
Sobre quem conto e sem quem
Eu mesmo não tenho história
Não tenho umbigo e me classifico inanimado
Sou, no máximo, lembrança de um retrato triste de criança
Não possuo essência, sôo como música que não se dança
Porém, não perco as contas e convido o não-tempo a ir embora
Fico em qualquer lugar de ouvidos atentos e olhos fechados
Prevendo no quando ela encerrará as noites frias
As mesmas pelas quais sempre me queixo
Vejo em todo gole de vinho asqueroso vinagre
Reconheço em cada doença migalhas de milagre
Embora nestas noites pego-me ensaiando fora de qualquer eixo
Todos os pedidos de desculpa, de comida e casamento
De repento, caprichoso por desleixo, exagero o pensamento
"Vem! Me beija e me morde o queixo! Eu deixo!"
Mas acontece que neste espelho com nervos de aço para quem ela posa
Reflete justamente o humano de vidro que me transformei
Que planeja e ambiciona uma casa com uma geladeira roxa
Para uma menina com uma flor por quem renascerei.*
* = Continua.**
** = Até que a morte nos separe. ***
*** = Amém!
30 junho 2010
12 junho 2010
Assinar:
Postagens (Atom)